"Você quer saber como é uma terça-feira aqui."
08:40 Abro o consultório ainda em silêncio. Reviso o que anotei da última sessão de cada paciente antes deles chegarem, é o que me lembra de perguntar a coisa certa, não a coisa óbvia.
09:00 Primeiro paciente. Menino de 8 anos que veio com queixa de "não presta atenção na escola". Mãe tá exausta, pai duvida se é frescura. Em 50 minutos a gente descobre que o problema não é atenção, é sono. Ele dorme cinco horas por noite, jogando até 1h da manhã. A solução não é remédio. É regra de tela.
10:30 Adolescente de 14 anos. Depressão. Toma medicação há dois meses, tá melhorando mas com efeitos colaterais. A gente ajusta dose. Conversa é mais sobre a vida do que sobre o remédio.
14:00 Mãe liga no intervalo. Está em pânico porque filha de 11 anos disse que não quer mais viver. Mando orientações de proteção em casa, oriento CAPS se piorar antes do retorno marcado pra sexta.
16:00 Última consulta. Criança de 6 anos com seletividade alimentar extrema. Família toda já tentou tudo. O trabalho aqui é com os pais, não com a criança.
18:30 Fecho. Anoto o que ficou em aberto de cada consulta, respondo mensagens de pais, e leio um paper recém-publicado sobre TDAH em meninas que vai mudar como avalio algumas coisas.
Não é glamouroso. É repetitivo, denso, e muitas vezes lento. Mas é onde eu escolhi estar.